Canções de Celúria #1 – O Contrato

Sejam bem vindos a uma nova série de contos do Carisma Zero!

As Canções de Celúria são contos baseados em sessões de RPG do meu grupo neste meu cenário, cujo progresso você pode acompanhar aqui.

Agora puxe uma cadeira, peça uma caneca de cerveja e aprecie a história contada por este humilde bardo que vós fala.

Sistema: Old Dragon (D20).

Personagens:

  • Acácio (nível 5): Euroquiano Assassino. Costuma ser silencioso, observador e muito esnobe. Gosta de criar e pesquisar sobre venenos e seus efeitos. Sua família é composta de ricos mercadores que vivem na Euróquia, mas Acácio esconde sua profissão como mercenário deles.
  • Axell (nível 5): um Licário Explorador dotado de grande carisma e bom humor, que procura resolver seus problemas com diplomacia e acredita que influência é o verdadeiro poder. Foi criado por um nobre torlosiano cujo o filho nutria muita inveja de Axell. Quando esse nobre morreu, o licário foi expulso e caçado. Desde então se vira como pode para sobreviver.
  • Darion (nível 5): Euroquiano Espadachim. Filho de um nobre que auxilia o Benfeitor da Euróquia, ele cresceu aproveitando o dinheiro e o status de sua família até ser expulso de casa com mais de 20 anos. Desde então trabalha como mercenário, procurando brigas e tudo o que vida oferece de bom.
  • Solomon (nível 5): Platonino Mestre dos Vigores. Antes de iniciar seus estudos e experimentações com a arcanita, ele teve uma filha com sua atual esposa, Marie. Solomon, já muito inclinado aos estudos alquimicos, decidiu tornar-se um alquimista a principio para formar uma loja de poções e dar uma boa vida a sua filha, mas inevitavelmente obteve gosto pela aventura.

Juntos, eles fazem parte de uma guilda de mercenários criada há dois anos, porém ainda sem uma sede. Eles a chamam de Lobos de Aluguel – ou Cães de Aluguel, como Darion insiste em modificar – e tem certa fama em alguns lugares.

Floresta

Um estrondo afrontou todos os pássaros que repousavam nas árvores em volta de Joans. O fedor da pólvora incensou o ar por um momento, até ser difuso pelo aroma característico das folhas que começavam a cair naquele fim de verão.

Nunca imaginariam se não tivessem visto, mas Joans, o velho caçador de animais, era notavelmente preciso com sua bacamarte. O tiro jogou o gegani contra uma árvore, pintalgando a casca com vermelho. O segundo deles rodopiava um machado com ferocidade, porém faltava-lhe a destreza necessária para atingir Darion, que dançava em volta do oponente desferindo estocadas de florete pontuais. Foi questão de alguns segundos até um destes ataques perfurar o coração do inimigo.

A luta acabou bem quando começou, nem deu tempo de Solomon, Acácio e Axell fazerem qualquer coisa.

No chão, entre os corpos dos dois geganis, estava Demério Tamísio, o homem pelo qual procuravam. Era um nobre da Lusia, que reside na cidade de Altaluz e é o herdeiro de uma das maiores construtoras de Celúria.

– Me soltem logo, porra! – gritava Demério.

– Soltaremos, mas antes lave a boca, garoto. – Solomon libertava as amarras dele enquanto falava.

– Quem você está chamando de garoto, Solomon? – perguntou Axell, rindo. – Vocês tem a mesma idade.

– Às vezes esqueço quantos anos tenho. – replicou o alquimista, com um sorriso tímido. A confusão feita deve-se ao consumo em excesso de arcanita, o mineral utilizado pelos alquimistas para absorver os efeitos nocivos ao corpo causados pelo uso de múltiplos vigores simultaneamente. Devido ao envelhecimento precoce causado pelo mineral, Solomon tinha 25 anos, mas com a aparência de alguém com quase 40.

– Não bastasse o corpo, a mente está apodrecendo também. – exclamou Darion, com sua alegria usual, fazendo todos caírem na gargalhada, menos Demério.

Enquanto riam, o nobre atingiu com força a cara de Solomon e saiu correndo floresta adentro. Todos os outros começaram a persegui-lo, mas Demério era rápido como poucos.

– Filho de um Skave! – xingou Darion, chutando uma raiz alta.

– O nobrezinho é rápido. – observou Acácio, com sua petulância usual. – Achei que tudo o que sabia fazer era foder putas e desmaiar bêbado em tavernas.

– Vamos atrás dele então! Venha, Joans, vamos pegá-lo. – o pequeno Axell puxava o caçador pelo braço.

Alquimista
Solomon

Enquanto rastreavam o nobre pela floresta, imaginavam se as 400 peças de ouro oferecidas como recompensa seriam suficientes para a abertura de uma guilda de mercenários. Algo real, com sede, selo próprio e tudo. Não esse serviço porco que ofereciam que tinha como símbolo um lobo que mais parecia um cão, desenhado por Solomon. Com a grande quantidade de guildas em Altaluz, só podiam imaginar que foram contratados por suas boas reputações em contratos de confidencialidade.

“Venham a Altaluz e ofereceremos 400 peças de ouro para cada um, caso recuperem um pacote.

– Altair Tamísio, da Construtora Tamísio”

Era tudo o que a carta que receberam continha. Gostaram do valor oferecido e foram a Altaluz. Depois de assinado o contrato, o irmão mais novo de Demério, Altair, revelou que o pacote tratava-se do herdeiro dos negócios da família.

– Vocês devem ir atrás dele e trazê-lo. – suspirou. – Creio que possa ter sido sequestrado enquanto passeava com Balb. Nossa construtora está enfrentando problemas com os geganis na fronteira da ilha norte. Eles querem redução de preços, condições de trabalho utópicas, prazos estendidos, prioridade de projetos toda voltada para eles… – balançou a cabeça negativamente. – Está um verdadeiro inferno. Cada vez mais as coisas estão se tornando violentas por lá. Temo que ele tenha sido sequestrado para nos forçar a cumprir as condições deles. – coçou o ralo cavanhaque. – Se Demério tiver apenas fugido, ainda é um problema. Se descobrirem, irão procura-lo. É um pote de ouro ambulante.

Felizmente, eles deram cabo dos geganis antes que arrastassem Demério para a Gegania, mas ainda havia algo de errado.

– Por que ele está fugindo de vocês? – perguntou Joans.

– Já falamos, temos um contrato de confidencialidade e não podemos te dizer nada à respeito. – Axell repreendeu o caçador enquanto sentia as arvores para ver através delas. Como era um licário – raça muito antiga que habitou Celúria antes dos humanos – ele possuía essa entre outras habilidades relacionadas com a natureza. Dessa forma rastreava Demério refazendo o exato caminho que o nobre havia percorrido.

– Você é louco para dar com a língua nos dentes, pequeno. Como naquele caso. – riu Solomon.

– E daí que aquele nobre queria um contrato desses para nos fazer buscar ervas eróticas? Espalho mesmo! – sorriu o pequeno licário. Falavam de um trabalho feito para um nobre torlosiano há um ano. – Devo fazer uma canção sobre isso em breve. “O Senhor da Espada Curva”.

– Ainda vão costurar sua boca por conta dessas e outras, Axell. – disse Darion, após recompor-se das gargalhadas.

Demerio1
Demério

Encontraram Demério entre uma cena de horror que cessou os risos que reverberavam pela floresta de Vila Alta.

Quatro corpos estavam espalhados de maneira desordenada, desmembrados, com vísceras expostas, ainda dotadas do rubor característico do sangue. Uma carroça estava meio quebrada e pintada de vermelho pela cena que ocorrera. O nobre olhava chocado em volta, procurando alguém, e ficou aliviado quando não a encontrou. Logo percebeu o grupo e pegou com muita agilidade uma pistola que estava no chão.

– Não se aproximem, seus filhos da puta! – gritou o nobre enquanto apontava a arma.

– Somos cinco, abaixe essa arma. – Acácio falou calmamente.

– Nem fodendo que vou ser sequestrado pela terceira vez hoje. Ou vocês vão embora, ou eu meto um tiro na testa de alguém!

– Acalme-se, Demério. – pediu Axell, suavemente, enquanto caminhava com cautela em frente. Sempre tentava resolver os problemas da forma mais diplomática possível. – Fomos contratados por Altair, seu irmão.

– Mais um passo, licário, mais um passo e eu explodo essa tua cabeça pequena.

Frente ao brado de Demério, Axell recuou. Solomon bebia uma dose de seu vigor de Mãos Flamejantes, enquanto Darion observava toda a cena muito atento. Atrás deles, estava Joans, com a bacamarte recarregada para mais um disparo, porém abaixada, e Acácio, que puxava lentamente uma adaga de seu cinto.

– Nós sabemos que você fugiu com a garota. – Axell contou a verdade.

– Como… – não teve tempo de terminar a frase, pois um estrondo vibrou no ar e pôs a floresta em silêncio por alguns segundos. – Lydia!

Demério correu em direção ao som do disparo, escorregando em um pedaço de um corpo, mas recompondo-se espantosamente rápido.

– Razoável. – observou Acácio.

– Não irei com vocês à frente, pessoal. – disse Joans. – Ele correu na direção do Vale dos Ossos e, como negociamos, eu não entraria no lar da Besta.

– Certo, Joans, nos espere aqui. – gritou Darion, enquanto corria em perseguição a Demério.

Vale dos Ossos

O Vale dos Ossos fica ao oeste de Vila Alta, nas profundezas de uma densa floresta, repleta de perigos. O maior deles, porém, foi apelidado de “A Besta” pelos moradores locais. Os mais religiosos afirmam que é o rei dos demônios Mordecai, enquanto os mais céticos pensam que trata-se de um animal transformado em uma aberração arcana. Entretanto, ambos concordam que a Besta é responsável por uma série de desaparecimentos e mortes nas florestas que ficam ao redor do Vale dos Ossos.

Enquanto Demério avançava, o terreno alterava-se sutilmente, passando do verde exuberante, para o marrom decadente. A floresta, antes inundada por aromas gentis que conduziam aventureiros em caminhadas calmas e relaxantes, impregnava as roupas e os sentidos com um cheiro incomodo e nauseante. O Vale dos Ossos parecia preso em uma temporada de eterno outono.

Em uma clareira cercada de arvores mortas e meio tombadas, estavam dois homens armados com pistolas, olhando para os lados, apavorados. Próximo a eles, estava uma bela jovem de cabelos ruivos e pele alva, com o vestido anil banhado em lama. Ela estava consolando um gigante, sentado e encostado sob uma árvore maior, segurando com força um ferimento no torso e lamentando em grunhidos.

Os Lobos de Aluguel – ou Cães de Aluguel, ainda estavam discutindo o nome – chegaram a tempo de ver Demério agir impulsivamente, atirando com precisão estupenda em um dos homens. O disparo ressoou por todo o vale, mas o homem sequer o percebeu. Teve metade da testa arrancada em uma erupção de sangue e miolos ao ser atingido pela bala.

O comparsa correu até a garota e a utilizou como escudo, apontando a arma para a cabeça dela.

– Fique ai mesmo ou eu mato-a! – gritou, com voz trêmula e desesperada.

– Largue ela e eu prometo que terá uma morte rápida. – disse Demério, enquanto apalpava os bolsos em busca balas e pólvora.

– É melhor – Axell deu um gole em seu vigor de Cura e continuou. – É melhor ouvir ele. Daqui você não escapa.

A garota chorava, borrando o que restava de sua maquiagem, enquanto o gigante continuava sentado, lamentando e olhando para toda aquela situação.

– Vocês vão sair do meu alcance, eu vou – tremia e batia os dentes com medo. O suor escorria por todo o rosto. – eu vou deixa-la ir se vocês saírem do meu alcance. Mas só se prometerem me deixar em paz. – ninguém respondeu. Estavam todos atônitos, olhando acima dele. – Eu não vou cair nessa!

De cima de um galho, estava uma criatura de aparência atroz, observando toda a cena com um instinto faminto no olhar. Saltou abrindo as garras e simplesmente separou a cabeça do corpo do homem que rendia a garota. O corte espirrou sangue em todas as direções e causou um calafrio que se alojou na espinha de todos os presentes. Entretanto, a primeira reação de Demério foi correr em direção a criatura, disparando após ter completado a recarga da pistola. A bala acertou o peito da fera, fazendo-a cambalear dois passos para trás.

Agora, muito próximo, Demério percebeu que estava frente a frente com a Besta.

Besta

A criatura estava de pé e era um pouco mais baixa que ele. Seu corpo era repleto de pelos negros, que esvoaçavam como rastros de sombras. A cabeça parecia com a de um lobo, porém achatada e sem orelhas. A Besta também tinha um rabo, grande, com uma bocarra na ponta, parecia dotada de vida própria.

A garota pegou a arma do homem que a rendeu e deu a Demério, que disparou sem hesitar. A bala não foi suficiente para impedir a criatura, que avançou ferozmente, cortando o ar com suas garras. O nobre foi salvo, jogado ao chão por Axell, que se pôs à frente do golpe, sentindo a carne no local onde fora atingido se abrir em uma fenda vermelha e latejante.

Acácio esgueirou-se pelo entorno da clareira e Solomon fez o mesmo. Darion saltou com o sabre na direção do monstro, enquanto os sons emitidos pelo gigante passavam de um grunhido lamentoso para uma rosnado estridente.

A Besta recebeu o sabre na barriga, mas continuou com uma sucessão de garradas que obrigaram Darion a aparar e esquivar sem pausa. Cada ataque feito pela criatura levantava uma bruma de odor repugnante, semelhante a restos de animais mortos.

Axell curava Demério à distância com uma combinação de vigores, e o nobre teimoso voltava ao combate munido apenas de uma lâmina presente sob o cano de sua pistola. A criatura lançou suas garras na direção de Demério e com a bocarra presente no rabo, abocanhou o peito de Darion, arrancando bastante sangue e puxando o espadachim na direção dela, precisando apenas de um giro do corpo para acerta-lo com o braço no peito. Darion foi ao chão violentamente, sentindo em um estalo a ruptura de algumas costelas, então uma adaga disparada por Acácio pegou a criatura nas costas. A Besta rugiu na direção do ataque, sentindo o veneno imbuído agir sob a carne, apodrecendo-a. Correu até o ladrão para destroça-lo. Mais duas adagas voaram, porém foram aparadas pelas enormes garras. Solomon, esperando o momento certo, saiu de trás de uma árvore próxima, lançando fogo das mãos e acendendo um ponto laranja naquela clareira.

A criatura estava bastante ferida e chamuscada, de modo que bateu em retirada, lançando com o rabo uma pedra em Acácio – que foi capaz de desviar por pouco – e pulando de galho em galho daquelas árvores sem vida.

Foi tudo muito rápido. O inimigo saltou em alguns galhos e depois caiu logo atrás de Demério. Como um chicote, o rabo rodopiou no ar e abocanhou o ombro do nobre, arrastando-o enquanto a Besta corria veloz como um lobo.

– Merda, não o pagamento! – exclamou Acácio, pela primeira vez verdadeiramente preocupado.

O gigante, mesmo ferido, levantou entre grunhidos e rosnados e foi atrás de Demério, derrubando árvores e abrindo caminho para o grupo. Axell curou ele, o que garantiu um alívio temporário ao ferimento. O gigante nem era tão grande, possuía apenas 4 metros, mas possuía imensa força.

Refizeram todo o caminho até o local onde os homens foram mortos. Joans já não estava mais ali, mas Demério estava vivo, arrastando-se para longe da criatura. A Besta estava tendo espasmos em cima da carroça quebrada, contorcendo-se continuamente.

– Afastem-se! – gritou Demério. – Afastem-se. Ele quebrou e bebeu um monte de vigores que estavam na carroça.

Mal puderam reagir, a criatura começou a pegar fogo. Não era uma pequena chama que restou do ataque de Solomon, era violento. Era cruel. Todo o corpo da criatura foi envolto em chamas. O pelo foi instantaneamente chamuscado. O rabo começou a enrolar, dando uma volta em si mesmo e ficando deformado por queimaduras. Uma das mãos da criatura simplesmente se fundiu com o calor do fogo, tornando-se um pedaço de carne desfigurada.

Foi quando tudo foi para o inferno.

Fire beast

O que presenciavam era o nascimento de uma aberração arcana. Um processo doloroso, causado pela ingestão demasiada de vigores, ao ponto do corpo alterar-se de forma drástica ao acumular energia arcana. Os efeitos provenientes dessa transformação são diversos, nocivos a criatura afetada e irreversíveis.

Os vigores são amplamente usados, afinal, concedem poderes mágicos e extraordinários, mas se usados indiscriminadamente, eles punem terrivelmente seu usuário.

Da criatura saiu uma explosão de fogo que pôs tudo ao redor em chamas. Por pouco Demério não foi atingido. Depois, ela voltou a emitir mais explosões flamejantes, sem controle, e aparentemente, ainda sentindo muita dor. O gigante, desesperado por causa do fogo, começou a correr e os outros seguiram seu exemplo.

A Besta caçava-os enquanto deixava um rastro fumegante para trás. A floresta crepitava, tomada pelas labaredas e fumaça. Logo tornou-se difícil respirar, e tiveram que diminuir o ritmo. O calor ávido das chamas ditava por onde deviam seguir, fechando muitos pontos do caminho com barreiras de fogo. Em um desses percursos, a Besta saltou à frente deles e cuspiu uma rajada de chamas que carbonizava a boca da fera. Acácio e Solomon foram pegos pela rajada. O fogo mordia com intensidade, deixando marcas e bolhas na pele enquanto rolavam e removiam capas e sobretudos.

Darion desembainhou seu sabre.

– Acácio, Solomon, levem a garota, Demério e o gigante para longe. – fixava os olhos na criatura enquanto muito suor escorria pelo seu rosto.

– Certo, certo! – gritou Acácio enquanto puxava a garota para algum outro caminho, mancando devido ao ferimento que acabara de receber.

Demério gritou para o gigante, que seguiu-o amedrontado. Ele e Solomon ajudavam-se mutualmente para correr.

Darion avançou para a criatura, atacando velozmente. Os golpes eram vez ou outra aparados e tinham que cessar quando a Besta lançava uma investida fumegante. Axell nada podia fazer a não ser arremessar pedras com sua funda e distrair a criatura afim de garantir mais um golpe para Darion.

Permaneceram nesse jogo de ataque e recuo, desviando das garras e lançando-se para os lados contra as investidas, mas o incêndio só ficava mais intenso, e Darion foi cansando cada vez mais, até ser pego em uma investida que rasgou seu peito e o jogou no chão. Axell correu em amparo ao amigo, porém foi obrigado a desviar de mais um sopro de fogo.

Joans
Joans

A Besta estava prestes a devorar o espadachim quando um estrondo desafiou o crepitar das chamas e adicionou pólvora ao cheiro de madeira queimada que afogava o ar. Mal podiam acreditar, mas Joans, de fato, era muito preciso com sua bacamarte. O estrondo foi procedido por uma explosão de brasas, fumaça e sangue. A criatura instantaneamente teve suas chamas apagadas e caiu no chão, tornando a sua forma original.

– Um licário metamorfo. – disse Darion, cuspindo sangue e agradecendo aos seus deuses gêmeos por mais um dia de vida.

– Um licário metamorfo amaldiçoado. – corrigiu Axell. – Não seja preconceituoso.

– Ele apagou mas a floresta não, garotos. – observou Joans, indicando o caminho com a arma.

forest fire orange

Fugiram daquele incêndio o mais rápido que puderam. Joans decidiu levar o corpo da Besta para clamar uma recompensa oferecida em Vila Alta. Foram momentos desesperadores dentro da floresta incendiada. Lutavam contra as labaredas e a mão asfixiante da fumaça, porém, enfim, puderam respirar quando afastaram-se do incêndio e encontraram o restante dos aliados, esperando no exato local onde haviam matado os geganis que capturaram Demério.

– Graças a Antares, vocês estão vivos. – Demério sorriu, em uma expressão de sincera alegria.

– Graças a Joans! – Axell pegou a mão do caçador e a levantou.

– Essa era a Besta? Um licário? – perguntou Acácio.

– Sim. Deve ser muito antigo, pois era forte. – respondeu Axell.

– Você vai voltar, não vai, Demério? – Solomon fazia faixas nos braços com pedaços da própria roupa.

– Não tenho outra alternativa. – o nobre respondeu azedo. – Mas eu me casarei com Lydia, e isso meu pai e meu irmão terão que aceitar.

– Talvez não seja tão fácil. – falou a garota, Lydia, apreensiva.

– Daremos um jeito nisso. Eu prometo. – ele pegou na mão dela e a beijou.

– Por Auri e Luni, vamos antes que eu morra! – Darion apressou o casal e logo continuaram a jornada. De qualquer modo, precisavam sair da floresta.

Evitaram Vila Alta, pois Demério disse que toda a confusão havia se originado lá.

Enquanto o nobre e Lydia comiam em uma taverna, o gigante arrumou confusão do lado de fora, quebrando umas cestas de frutas de crianças vendedoras. Demério se recusou a pagar pelos danos pois as crianças estavam cutucando Balb – como o gigante é chamado pelo nobre – com estacas e machucando a criatura de estimação exótica. O chefe da lei local mandou seis homens atrás de Demério, que fugiu pela floresta de Vila Alta.

Tudo piorou quando os homens enviados atrás de Demério perceberam quem ele era, e planejaram sequestra-lo e entrega-lo a algum chefe tribal na Gegania, já que a confusão com os Tamísios na fronteira da ilha norte é antiga e bem conhecida. Para aumentar a confusão, dois geganis que estavam na taverna em Vila Alta também reconheceram Demério e foram atrás do pote de ouro ambulante.

Mas finalmente ele retornava ao lar.

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– Prometa-me que nunca vai contar o que se passou em nossa aventura.

– Eu prometo. – disse Joans à Solomon.

– Bom trabalhar com você, Joans. – o alquimista se despediu calorosamente de Joans, e assim fizeram os outros.

O caçador iria clamar a recompensa e alegaria que havia matado a Besta sozinho. Era necessário para não quebrar o contrato de confidencialidade assinado pelos Lobos – ou Cães – de Aluguel.

Enquanto retornavam, Demério falava sobre sonhos. Sonhava com um futuro longe da família, longe de Altaluz, longe de todos.

Mas perto de Lydia.

Assim retornaram todos, falando sobre sonhos.


MestreEssa foi a primeira sessão no cenário de Celúria. Os jogadores presentes aqui são os mesmos das Páginas de Voltura. Agora eles retornam com novos personagens.

Gostei muito do jogo, pois se desenrolou rapidamente. Fizeram um bom trabalho de investigação na cidade antes de rastrear Demério, porém preferi escrever de uma forma não muito linear, pulando logo para a ação. Aventura básica para iniciar bem uma campanha!

A batalha foi bastante sofrida, assim como descrito. Os jogadores não foram descuidados, mas apenas estavam despreparados para uma criatura tão forte na primeira sessão. Mas, são nível 5, então é pra aguentar monstrão mesmo.

Optei por iniciar o jogo com o nível 5 para desenvolver a história, que será repleta de grandes perigos, com rapidez e para testarem logo as novas ou modificadas especializações. Eles que escolheram ser uma guilda mercenária.

Em breve, mais relatos das aventuras seguintes, continuando a história de Demério, do estabelecimento da guilda e de uma traição improvável.

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