Diário Holográfico 1.0 – Dias Selvagens

Cyberpunk 4

“Bem-vindo ao meu cafofo, cara. Pode se servir dessa Coca Classic. Esse lugar me custou alguns milhares de créditos e muita XP. A bebida estava boa? Claro que sim. A vantagem da Realidade Virtual é que a Coca sempre está gelada e com gás”.

Pryan, investigador mercenário.

Esta história se passa em um universo Cyberpunk, onde tudo é descartável e nada é real e barato. Atualize seu TAP e seu projetor holográfico, carregue o modo em tela cheia e desative essas malditas notificações do TapText. Presta atenção!

Sistema: Savage Worlds + Interface Zero 2.0

Jogadores:

Franklin Johnson: conhecido na Realidade Virtual como Cromo_Cop. Frank é policial, e como de costume no Setor 14, é do tipo que aceita uma grana pra fazer alguns trabalhos não oficiais. É o que acontece quando ex-militares vão trabalhar na polícia. A diferença de salário é alta. Já te contei que ele é um Ciborgue? O cara tem uma fixação bizarra em se polir, dá pra vê-lo chegar de longe. Mas não se engane, ele não tem medo de se sujar. Não é muito difícil vê-lo pelas quebradas salpicado de sangue. Eu não perguntaria o porquê, se fosse você.

John Pierre Baptist: se fizessem um filme sobre esse cara, teria o título de “O Lobisomem Francês na América”. O cara é um híbrido, criado em laboratório para ser metade homem, metade lobo. Peripécias do exército. É amigo de Frank, serviram juntos. É, apesar do nome, John é americano, apenas seus pais são franceses. A propósito, ele esconde alguma coisa sobre sua família, fica irritado quando perguntam sobre ela. Eu prefiro ficar na minha e manter minhas tripas dentro do meu corpo, valeu?

“Dr.” Nick Riviera: acho que esse nem é o nome verdadeiro dele, mas você tem que concordar comigo, o cara é uma peça única. Misture um curso de medicina feito por correspondência, cocaína e a total ignorância do significado da palavra “ética”. Ai está o cara que vai remover essa bala do seu corpo, e alguns órgãos, caso você não verifique se está tudo em ordem.

Ryodo Yukine: foi difícil achar o nome desse aqui, geralmente ele se apresenta na RV como “The Another”. Sim, ele é um hacker. Não, ele não é muito corajoso, mas tem um bom coração. Apenas mantenha seu TAP protegido. Não vai querer esse japonês xeretando nas suas mensagens.

 Cyberpunk 2

  Ryodo acordou com uma notificação no TAP. Dentro dela havia um link para um encontro particular na Realidade Virtual, um trabalho a fazer, provavelmente. Sem hesitar, ele foi em frente, sua reserva em créditos já estava acabando. Fechou os olhos e o mundo a sua volta foi tomado por contornos neon coloridos. Ele se encontrava em uma sala com uma estética bizarra. Já havia visto filmes que se passavam nessa época, há mais de 100 anos atrás. Estava nos anos 80 do século passado, 1980. Um cara com um black power e uma jaqueta de couro bem estilosa lhe passou um trabalho simples: invadir os TAPs de Franklin Johnson e John Pierre, coletar qualquer informação que envolva Oliver Kelly. Dinheiro fácil.

   Não demorou muito, os caras não tinham nenhum meio de proteção digital. O hacker encontrou algumas trocas de mensagens e uma ligação onde Oliver comentava que poderia estar correndo perigo. Ryodo passou tudo ao contratante, recebeu os créditos e foi passar o tempo com seus MMORPGs.

   Alguns dias depois, Frank e John estavam na clínica de Nick Riviera. John queria um implante de um olho com visão noturna e pediu a Frank, um cara que é mais metal do que carne, o endereço de um bom cirurgião. Após o procedimento, dois caras entram no local e perguntam algumas coisas. Coisas sobre Oliver. Coisas sobre Connell McCarty. Eles se identificam como Torb e Pryan. Corte militar bem aparado e black power bem cuidado, respectivamente.

– Oliver morreu. – diz Pryan. – Sabemos que vocês serviram com ele no exército. Oliver era piloto de Mecha, certo? Connell era assistente de Anuya Hishiro, um cientista que também serviu no esquadrão de vocês. Não poderiam nos ajudar com algumas informações? Estamos atrás de Connell e achamos que a morte de Oliver tem ligação com o sequestro.

   A merda é que Frank e John não sabem de nada. Os investigadores não ajudaram, pouco falaram sobre o caso. Oliver estava em um bar e, de repente, estava espalhado pelo bar. Entende a diferença? Calibre pesado foi utilizado. Era cedo, não havia ninguém mais no bar. Nem mesmo o atendente. É um daqueles bares automatizados, saca? Feitos para quem odeia ouvir o famoso: “ei, pega leve na bebida, parceiro”.

   Quanto ao Connell, também revelam pouco. O cara era assistente de Anuya, e quando o japa morreu há 6 anos, passou a comandar o laboratório de tecnologia dele. Parece que foi sequestrado há uma semana.

   Os investigadores deixam seus contatos e vão embora. Frank e John ficam encucados, mas não fazem nada precipitado.

Cyberpunk

   Um novo dia nasce, trazendo mais caos a caoslândia. Parece que um furgão cheio de criminosos virou peneira escorrendo molho de espaguete. Sete mortos. A polícia investiga e Frank entra na onda. Interroga uma testemunha aqui e ali. Não conseguiu relatos muito confiáveis, o melhor deles dizia que um cara em uma armadura remendada saiu metralhando todo mundo e depois entrou em um mini-caminhão branco.

   E se é pra falar de caos, mais uma onda estava por vir. Frank recebe no comunicador que há uma perseguição entre dois carros: um sedan e um mini-caminhão branco. O primeiro estava sendo alvejado pelo segundo. O ciborgue meteu o pé no acelerador e foi atrás da ocorrência. Encontrou o sedan parado no meio da rua, em frente ao bar “Ovelhas Androides”. Um rastro de sangue formava uma seta para o bar. Coincidentemente, a clínica do “Dr.” Riviera é um sobradinho anexo ao estabelecimento.

   Dentro da sala de operações, Torb está com as tripas escorrendo pra fora do corpo e Pryan está desesperado, com metade do black power pintado de sangue do amigo.

– Foi o filho da puta que matou Oliver, tenho certeza. – diz Pryan. Torb só chora e geme. – Conseguimos despista-lo e viemos pra cá. Salve ele, Dr. Riviera.

   Olhando para a cara de lunático de Nick, Frank não tem tanta certeza se Torb vai conseguir sair dessa. O TAP do policial recebe uma mensagem de John. Parece que há uns caras seguindo ele. Combinam de se encontrar no apartamento de Frank. Pryan diz que tem que resolver umas coisas com seu empregador e que volta depois para ver como está Torb.

   Entre suturas, remoções precisas de balas e uma cheirada de pó, Nick vê na câmera de segurança que uns caras armados estão atravessando o corredor entre o bar e a clínica. Ele fecha a porta eletrônica, os caras atiram nas câmeras e começam a hackear a porta. O médico coloca uns móveis no trilho da porta enquanto pede ajuda a Frank e John. O policial, que já estava longe dali e de carro, começa a voltar. John estava de táxi e passando pela região e decide ir ajudar o médico.

1378120504445

   Nick resolve esconder Torb dentro de um compartimento onde se coloca os presuntos. Não muito higiênico, mas é melhor pegar uma infecção e morrer em alguns dias do que morrer agora, certo? Depois disso, Nick pega sua submetralhadora escondida no armário, abre a porta dos fundos e tenta fugir pelo beco, mas tem um cara esperando ele ali. Claro, são profissionais.

– Jogue a arma no chão e ponha as mãos sobre a cabeça. – diz o cara em uniforme preto, com sotaque britânico.

   Nick obedece prontamente.

   Qualquer segundo parece o último para ele, mas John apareceu na hora certa, pistola em punho, disparando e se escondendo atrás de uma lata de lixo. O inimigo dispara loucamente, mas não acerta nada. Caí em seguida, com um tiro no olho.

   Os outros assassinos aparecem para vingar seu parceiro. Frank também dá um pulinho no tiroteio, chega acertando cabeças. Nick rola de um lado para outro, tentando agarrar sua submetralhadora de estimação. Quando ele a alcança, amigo, é bala pra todo lado e corpos para o chão. Nick está bem abaixo dos atiradores, um cara foi acertado por uma bala que atravessou seu saco, pulmão, queixo e os incisivos frontais. Nunca mais poderá sorrir.

   Com a adrenalina inundando o corpo, eles acreditavam que aquele dia estava eletrizante. Sério, cara, o dia estava apenas começando.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s